O DIA: Desrespeito ao usuário
É lamentável a situação em que os transportes públicos na Região Metropolitana do Rio se encontram hoje. A omissão do poder público é um crime contra o cidadão que depende dos trens, metrô e barcas para ir e vir do trabalho, da escola e do lazer. Um transporte em que a palavra de ordem é o desrespeito ao usuário e preços altos. Essa combinação tem feito do Rio o campeão de problemas em trens, metrô, barcas e ônibus.
Os problemas não são poucos. Panes, descarrilamentos e superlotação nos sistemas dos trens urbanos e do metrô que interrompem o serviço e deixam milhares de trabalhadores a pé; enormes filas nas estações das barcas e acidentes que colocam em risco a vida dos passageiros; truculência das forças de segurança das concessionárias unicamente preocupadas com o patrimônio das empresas e indiferentes ao bem-estar de seus usuários, são apenas algumas das mazelas dos transportes em nosso estado.
Apesar desse quadro caótico, conhecido por qualquer cidadão, o Governo do Estado nada faz. Muito pelo contrário. Avisa que, pasmem, dias piores virão! As falhas das concessionárias parecem ser premiadas com as sucessivas autorizações da Agetransp (Agência Reguladora de Transportes Públicos) para o aumento das tarifas, apesar dos péssimos serviços prestados. Barcas S.A. acaba de conseguir autorização para aumentar em 60% o valor de seu bilhete, que passa a custar R$ 4,50. Depois é a vez do Metrô, que ganhou esta semana aumento em sua tarifa e cujo projeto de expansão contraria frontalmente o interesse público. A SuperVia já teve o seu reajuste no dia 2 de fevereiro, quando os bilhetes passaram a custar R$ 2,90. A pergunta que não quer calar é o que o Governo do Estado ganha com este quadro de caos que causa sofrimento ao cidadão? Por que sempre fica do lado das empresas?
Alessandro Molon é deputado federal (PT-RJ)
FONTE: Jornal O Dia
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