Molon organiza ato de repúdio à aliança PT-PMDB no Rio
Segundo o deputados, acordo não teria sido discutido com a militância da legenda
O clima dentro do PT do Rio deu “bode”. Foi assim que a economista e ex-deputada federal Maria da Conceição Tavares avaliou nesta sexta-feira a atual situação do partido no estado. Ela participou, na sede do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado (Crea-RJ), no Centro, de um evento de repúdio à aliança dos petistas com o PMDB em apoio à candidatura do prefeito Eduardo Paes à reeleição. O encontro teve a participação de militantes contrários à dobradinha e de sindicatos e foi organizado pelo deputado federal Alessandro Molon.
— O PT aqui do Rio tem sempre dado bode. Desde o tempo em que o partido apoiou Anthony Garotinho (em 1998, para governador). Não voto no Eduardo Paes em hipótese alguma, como não votei no Garotinho. Eles são conservadores e reacionários — discursou Maria da Conceição.
Para a economista, o PT “está sendo massacrado”:
— Vejo tudo isso com muita tristeza. Eu cheguei a brigar com o Lula quando ele apoiou o Garotinho. Temos de levar o PT a sério. Estamos sendo massacrados.
O ato de adesão a Molon teve o slogan “Coragem para Mudar”, além de faixas de protesto. O ambiente era de revolta no plenário que tinha ainda representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de sindicatos dos médicos e dos professores.
Segundo Molon, o acordo firmado entre PT e PMDB não teria sido discutido com a militância da legenda. O deputado acusou o Executiva de ter tomado uma decisão unilateral, indicando o vereador petista Adilson Pires como o vice na chapa de Paes na eleição do ano que vem.
— Chegou a hora de saber se vamos ter uma cara própria (nas eleições) ou vamos ser subalternos do poder que domina o estado. A militância do PT não foi ouvida. Não queremos ser um partido de vice — afirmou o parlamentar.
No mês passado, Molon já havia causado mal-estar na reunião do diretório do PT quando foi anunciada a aliança com o PMDB para as eleições municipais. O deputado se declarou contra o acordo. À época, participaram o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc, o ministro da Pesca, Luiz Sérgio, o senador Lindbergh Farias e a deputada federal Benedita da Silva.
— Essa aliança está na contramão da própria história do partido. Na Saúde, os governos do PMDB (Paes e Sérgio Cabral) violam a Constituição e as regras do Sistema Único de Saúde. As propostas têm um conteúdo mais de marketing eleitoral do que propriamente de resolver os problemas — criticou Jorge Darze, filiado ao PT e presidente do Sindicato dos Médicos.
Procurado pelo GLOBO, a assessoria de imprensa de Eduardo Paes não retornou as ligações. O presidente regional do PT, Jorge Florêncio, ironizou Molon.
— A aliança está bem consolidada. Discutimos sim com o partido. O Molon tem direito de ter a posição dele. Mas é a minoria. Digamos que é o Dom Quixote. Esse movimento dele é uma fantasia. Não é real — declarou Florêncio, lembrando que o acordo com o PMDB no Rio teve o aval do diretório nacional.
FONTE: O GLOBO
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